Assistimos na ultima semana a noticias, divulgadas na comunicação social, acerca de homicidios a raparigas com um perfil semelhante, o que configura a hipótese de se tratar de um psicopata "Serial Killer". O que é diferente relativamente a outros casos é que este é passado em Portugal - pais que não tem historial deste tipo de crimes. Tudo isto parece muito contrário ao pacato portugal. E o cidadão comum pode encarar estes acontecimentos com estupefacção.
Para os profissionais da Psicologia estes factos já não são tão surpreendentes, pois sabemos que existem muitos indivíduos distribuidos na população com características de personalidade que os colocam na esfera da psicopatia, embora muito raramente se tornem assassinos.
Na realidade, as personalidades anti-sociais (classe mais geral de onde surge a psicopatia) tem vindo a crescer no seio da população. O estilo frouxo, demasiado liberal de educação (sem regras onde tudo é permitido), aliado à falta de cuidados e afecto, leva ao desenvolvimento de personalidades muito individualistas, que procuram compensar o que lhes faltou no seu desenvolvimento ao longo da vida (pontos de referência, o amor dos outros), com uma busca a "todo-o-custo", de gratificação narcísica. Normalmente, são pessoas determinadas na conquista do que lhes é caro, podendo "esquecer" um pouco os outros, ultrapassando a sua vontade (caso seja necessário). Mas só em casos ráros e extremos (com percursos de vida "complicados") é que se pode verificar o comportamento agressivo extremo (matar em série).
Neste caso do Serial Killer de Santa Combadão, embora tudo aponte para a existencia patologia, torna-se necessário fazer um estudo do individuo em causa (percurso infantil, tipo de suporte afectivo na infância, humilhações a que possa ter sido sujeito, avaliações de personalidade credíveis - excluir provas de papel e lápis ou questionários, que são mediocres nestes casos) para que o diagnóstico se confirme.